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NAIAA preocupado com o abandono da arte de estuque em Afife

As nossas raízes culturais, tem muito a ver com o cidadão comum, agricultor, artesão pescador, etc. São estes os protagonistas, que devido ao seu labor quotidiano, vão procurando criar equipamentos, quer para ultrapassar dificuldades ou minorar esforços, contribuindo para a construção do património físico que caracteriza a identidade colectiva, que nos merece o maior respeito pela manutenção das matrizes culturais deste país.

É a preservação das nossas raízes, que tem norteado esta associação, cujos objectivos são a divulgação e preservação da nossa identidade através de intervenções na área do património arqueológico, urbanístico e ambiental.

Esta preocupação de preservação cultural, levou o NAIAA, aos trabalhos do estuque, que é uma arte muito acarinhada em Afife.

Para conhecermos melhor a “alma e o segredo” dos estucadores, nada melhor que falar com o Sr. Domingos Rodrigues Fontainhas, sobre esta arte. A aposta foi gratificante, quer pela disponibilidade quer pelo amor que o nosso interlocutor sente por aquilo que faz.

Talvez por isso, e para nós sentirmos a beleza desses trabalhos o Sr. Domingos Fontainhas, começou por nos mostrar alguns tectos existentes no Casino Afifense, e em sua casa e a verdade é que ficamos mais sensibilizados pela beleza dessa arte. Mas não satisfeito, levou-nos para o computador e pôs-nos a navegar proporcionando-nos uma interessante viagem, pela evolução implementada até aos nossos dias.

Nessa caminhada percorremos o país, por casas senhoriais, igrejas, casas de espectáculo finamente decoradas; por diversas vezes nos cruzávamo-nos com a escola afifense dos estucadores que desde o século XVIII, espalharam a sua arte pelo País

O Sr. Domingos, é dos últimos estucadores que embora percorresse Portugal de lés a lés, nunca deixou de voltar ao seu cantinho, localizado no sopé do monte de Santo António.

Dentro de um espírito de defesa da nossa identidade e em particular dos Afifenses, o NAIAA, após ter analisado a arte do estuque, considera que de facto estes artistas anónimos, ou quase, mereciam ser homenageados, pois fizeram de Afife a “capital dos estucadores portugueses”, tornando conhecido todo o concelho de Viana como um centro artístico do estuque.

O NAIAA, depois de ter conhecimento das obras espalhadas pelo País e os moldes existentes nas oficinas de alguns desses estucadores, como painéis de centros de salões, belas peças de cantos, e muitos outros trabalhados, considera que seria altura de se começar a pensar num Museu onde pudessem estar expostas muitos desses trabalhos, além de equipamentos, aproveitando ainda alguns desses mestres para explicarem a forma de execução desses trabalhos de estuque e se possível serem documentados com vídeos, para memória futura. A aposta podia ir mais longe com a criação de um centro de interpretação, para realização de circuitos culturais em especial pela região de Viana do Castelo para o visitante se inteirar e admirar alguns desses locais decorados por esses artistas afifenses.

O NAIAA sente-se na obrigação de divulgar esta arte, para não esquecer que embora se trate de uma técnica inventada noutros países, como Itália, Alemanha e Inglaterra, há mais de 400anos, entrou em Portugal, sendo continuada por mestres de estuque afifenses.

Segundo dados orais, a juventude de Afife do século XVIII, mal acabava a escola primária, por volta dos 11ou 12 anos, migrava para o Porto ou Lisboa e era introduzida no mercado da construção como serventes de estucadores, e assim iam subindo a difícil escalada para o estuque artístico.

Embora, O Sr. Domingos Rodrigues Fontainhas, seja um estucador nascido em meados do século XX, nessa altura a história ainda se repetia porque, também ele seguiu as pisadas dos antepassados afifenses migrando para o Porto com 11 anos como servente.

Embora muitos anos já passados continua a expor a sua arte por este Portugal, estando presentemente quer a criar novas peças como a recuperar outras no “Teatro Circo em Braga”.

Na viagem que nos proporcionou, mostrou-nos trabalhos em diversas igrejas do vale do Âncora, incluindo os tectos da Igreja de Vila Praia de Âncora, mas também em Caminha, em Viana do Castelo, Afife, Arcos de Valdevez, e nos tectos da residência oficial do Governador da Madeira (Dr. João Jardim) e nos da Assembleia Legislativa Regional da Madeira.

São estes documentos de um, património edificado, em que as tradições paulatinamente consolidadas ao longo dos séculos, são frutos da criatividade e do labor de sucessivas gerações de Homens e Mulheres que, geraram a matriz da identidade Portuguesa, sem nunca beliscarem a sua independência.

Joaquim Vasconcelos-19-04-2013

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publicado às 18:00



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