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AFIFE DIGIT@L jornal on-line de Afife

NOTICIAS LOCAIS E REGIONAIS ACTUALIZADAS SEMANALMENTE AOS SÁBADOS ÀS 21h30 ........ e-mail: afifenoticias@sapo.pt

AFIFE REVIVEU A SUA MAIS ANTIGA TRADIÇÃO



Afife viveu mais uma Sarração da Velha, “ porque ao contrário daquilo que acontece em muitos outros locais, aqui a velha é sarrada e não serrada” á moda antiga mantendo-se a tradição dentro dos seus parâmetros mais originais. A organização pertenceu ao NAIAA, mas a velha este ano foi feita pelas pessoas do Centro de Dia, que não fugiram em nada aquilo que é esta original tradição Afifenses e a mais antiga.  Assim e desde tempos imemoriaias que o meio da Quaresma, é motivo para grandes barulhos e algazarras, com triquelitraques, cornos e buzios a fazerem o acompanhamento daquilo que o povo designou por "SARRAÇÂO DA VELHA DE AFIFE" que a distingue de todas as outras manifestações semelhantes, já que esta tem todas as caracteristicas originarias de Afife. Embora a tradição se inicie logo na Quarta feira de Cinzas com o toque dos triquelitraques, mas nos tempos que correm, muito poucos, foram aqueles que tocaram o tão popular e original instrumento Afifense.

Mas o certo é que na altura de sair a Velha, o povo com ou sem o triquelitraque vai aparecendo pelo Largo do Cruzeiro, uns para ver, outros para incorporarem no cortejo. Este ano, todos gostaram do andor com a Velha, pois tratava-se de uma cópia fiel do original e carateristico, com as cores da indumentaria de acordo com o antigo e nem faltou o feixe de palha para a queima, pois antigamente  ninguem  utilizava a gasolina. Este ano com a data antecipada devido ao calendario religioso o Largo do Cruzeiro encheu-se uma vez mais de Afifenses e não só, para ver a Velha e ouvir o testamento.

Embora o tempo não fosse muito convidativo, já que ameaçava chover, mas é facto que as pessoas nestas coisas gostam de lembrar outros tempos e participam sempre no cortejo e a tocar o triquelitraque.

 Pouco passava das 10 horas da noite quando o andor  da Velha foi colocado á porta da sede do NAIAA, e então foi como é habitual a curiosidade dos presentes  a vir ao de cima para saber o que iria sair na Velha.

Em tempos a Velha era a mulher mais idosa da Freguesia lado norte e os presentes tentavam encontrar pormenores que a identificassem, pois os organizadores, não davam muitas pistas. No entanto e nos tempos que correm, a Velha é aquilo que cada um quiser, porque perdeu-se um pouco entre os organizadores em fazer semelhanças com esta ou aquela pessoa.

Este ano o percurso fez-se entre o Cruzeiro e o Casino e até nem apareceram aqueles que se escondem para tentar destruir o boneco,

numa atitude reprovável.

A acompanhar o andor, integraram-se inumeros Afifenses em animados despiques entre o Sarra e o Esgalha e as camisolas ou casacos para o frio, começaram a serem presas á cintura, só para não incomodarem.

É que tanto novos como velhos, todos afinam pelo mesmo instrumento, em batimentos cadenciados e com os dedos nos seus devidos lugares, senão sai macicada nas unhas, o que não é nada agradavel.

Como sempre o São João nunca falta áo toque e aqui afina o ritmo,

Aqui sai o Esgalha

 

Embora com ar de cansado.

Tocarei até que os dedos me doam.

Acontece que nem só de triquelitraques se fez o cortejo da velha, porque os buzios e os cornos de vaca, ajudaram ao barulho.

 

  

 

 

Chegado com o cortejo chegado á Mesa de Pedra do Cruzeiro é tempo de descanso e silencio, que se vai ler o testamento.

 

A finalizar e na mesa centenária do Cruzeiro, onde foi lido o testamento, sempre esperado por todos, que contemplou a Junta e associações locais, as pessoas solteiras, não esquecendo os da pinga e até sobrou para o padre, salvando-se o sacristão, porque foi profissão já abolida. Finalizado o testamento passou-se ao acto de fé, em que a velha foi sarrada, isto é consumida pelo fogo e os triquelitraques não mais pararam de tocar o sarra, o esgalha e a marcha, porque para o ano, há mais.            

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


E com o Sarra final os triquelitraques vão para o fumeiro na chaminé, ao lado dos chouriços, até ao proximo ano.

 

1 de MARÇO DE 2008

          afife digital

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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