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AFIFE DIGIT@L jornal on-line de Afife

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O POETA MORREU HÁ 24 ANOS

   6-Setembro de 1904---5 - Março de 1984

 

 

Nome--Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello

Nasceu no Porto a 6 de Setembro de 1904

Faleceu no Porto a 5 de Março de 1984

Foi sepultado no cemiterio de Afife , por vontade expressa.

               ULTIMAS VONTADES

Enterrem os meus ossos em Afife

No bravo jardim que me fez homem

Pois quero ter (se os cardos tambem comem)

A sua fome por esquife

Pedro Homem de Mello, o poeta esquecido por quase todos, morreu há 24 anos no Porto, a 5 de Março de 1984 com 79 anos e está sepultado por vontade própria em campa rasa no cemitério de Afife . Muito embora tenha nascido no Porto em 1904 no seio de uma família fidalga, foi sempre um amigo do povo e a sua poesia é disso reflexo. Estudou direito em Coimbra e licenciou-se em Lisboa em 1926, exerceu advocacia tendo sido subdelegado do Procurador da Republica e posteriormente professor nas mais conceituadas escolas Portuenses. Foi um estudioso e divulgador do folclore Português, criou vários ranchos de folclore no Minho e durante os anos 60 e 70 foi o apresentador do mais popular programa de folclore da RTP, onde levava ao País a imagem do povo que canta e dança ao som do harmónio e da concertina, assim como referenciava as suas tradições e indumentaria.

Pedro Homem de Mello, viveu grande parte da sua vida em Afife na sua residência no Convento de Cabanas, que era o seu refúgio e lugar de inspiração para a escrita. Foram inúmeros os trabalhos que publicou como aquele datado de 1941 A Poesia na Dança e nos Cantares do Povo Português, ou Danças Portuguesas de 1962. Alem destes legou-nos uma vasta obra poética iniciada com Caravela ao Mar de 1930 e a partir daqui foi um nunca mais parar. Faz esta quarta feira, 5 de Março 24 anos que morreu o poeta no Porto e é uma data que passa esquecida, tal como colocaram o poeta, salve-se as comemorações do seu centenário em que o Casino Afifense e uma comissão constituída para o efeito lhe prestou homenagem e erigiu o monumento aos poetas na entrada central de Afife , junto aos jardins de Empostalha , onde estão expostos alguns poemas do Pedro, como os folcloristas o tratavam.

A comissão que levou por diante as comemorações do seu centenário e de modo a homenagear todos os poetas, colocou um trabalho em bronze da autoria do escultor José Rodrigues nos jardins de Empostalha , onde estão incluídos poemas  do poeta. Este monumento não foi do agrado geral e gerou alguma controvérsia , mas é facto que passado esse momento mais quente, tudo voltou à calma normal.

A comissão do centenário , foi constituída por varias pessoas de diversos quadrantes e posições na vida activa, identificadas com o poeta e criada no seio do Casino Afifense . Na altura das comemorações do centenário foram ainda colocadas na parede exterior do Convento de  Cabanas em azulejos, duas quadras uma do poeta e outra feita propositadamente em sua homenagem.

A Junta de Freguesia  de Afife  e a comissão de toponímia resolveu dar o seu nome   à estrada principal que atravessa a Freguesia, para lembrar o poeta que escolheu esta terra como sua e da qual divulgou o seu folclore e cultura popular. Passados 24 anos da sua morte até na ultima morada o poeta era esquecido, não fossem os amigos a tratar da sua sepultura e muito especialmente um que até foi seu aluno, um homem do folclore que muitos ensinamentos tirou do poeta e que possui tudo o que se identifica com o Pedro Homem de Mello, é o folclorista Rui Silva, entre outros. Assim é mais uma data que passa ao lado da memória do poeta, porque ninguém se lembrou de levar por diante qualquer realização evocativa ao homem e à sua obra que em tempos teve grande expressão popular.

Aconteceu já que alguns daqueles que foram seus alunos nas varias escolas do Porto onde ele leccionou , lhes prestaram uma homenagem, deslocando-se a Afife , visitaram Cabanas, foram à sua sepultura, onde o Afifense António   Neiva recitou alguns poemas e tiveram uma sessão no Casino, em que se retratou a vida e obra do poeta e foi tirada a fotografia de família , junto ao monumento de Empostalha .

Há no entanto aqueles que embora poucos mas mais identificados com aquilo que o poeta fez pelo folclore que o quiseram lembrar e assim tanto Afife , como Vila Praia de Ancora e Viana do Castelo, tem ruas com o seu nome. Em Afife ainda hoje é possível encontrar quadras do poeta em vários pontos da Freguesia, datadas dos anos 30 e que estão descritas em azulejos.

Tal como acontece junto ao largo do Masseiro , em tempos  este era o ponto de descanso, daqueles que ao fim do dia  regressavam a casa depois dos trabalhos na veiga e era ainda o seu ponto de encontro para o feirão , ou seja para pôr a conversa em dia.

 

FELICIDADE

            Sabe tão bem poisar aqui

                                 A enxada

            Lavar as mãos onde o suor correu

            Dizendo ao ver na casa abençoada

            Os filhos e a mulher

                                  Tudo isto é meu

Este trabalho poético , encontra-se ainda hoje patente na parede do edifício onde  em tempos foi uma mercearia e está em bom estado, já que aquando as obras aí realizadas recentemente, houve o cuidado de manter os azulejos. Outros trabalhos podem ser vistos em ambos os lados da entrada do cemitério de Afife , onde o poeta deixava a sua vontade expressa de ser enterrado em Afife .

Outras quadras podem ainda serem vistas em ambos os lados da entrada da antiga mata de Cabanas .


   ETERNIDADE

 

As aguas são para o mar

As folhas são para o vento

Só as fragas se não mudam

Nelas fica o pensamento

CABANAS 14-8-939

 

 

  

       ASCENSÃO

  O rio que passa em Cabanas

Por entre fragas tão lindo

Que embora desça da serra

Parece que vai subindo!

  CABANAS-6-9-939

 

Estas serão certamente aquelas mais conhecidas, mas também aquelas que mostram sinais evidentes de degradação, abandono  e esquecidas tal como o poeta.  Pois para podermos fotografar, foi necessário retirar alguma vegetação, como silvas entre outros, pois estas quase não se encontravam visíveis . Depois nota-se os azulejos danificados, certamente por arremesso de pedras e cheios de fungos.

No entanto estes painéis

de azulejos, especialmente os do lado nascente da entrada, só não foram quebrados por  mero acaso, pois é bem visível a movimentação do muro, causada certamente por algum meio mecânico ou motorizado, recentemente com os trabalhos da desmatação que aí se verificou. Seria no entanto bom que  fossem mantidos estes painéis que estão seriamente ameaçados, porque já é do pouco que resta da tão grande Quinta de Cabanas.

Pedro Homem de Mello

referenciou nos seus livros o nome de varias figuras da Freguesia, ligadas ao folclore ou não e quem não se lembra do Rones e do Camões por ele referenciados.

Nos últimos tempos da sua vida as coisas foram-lhe difíceis e até houve quem o visse a vender os seus livros na estação de S. Bento no Porto para sobreviver. Foi certamente a partir daí que ele terá entrado no esquecimento, tal como outros poetas Portugueses, mas há  toda uma obra que merece ser ainda hoje dada a conhecer e pode muito bem ser reavivada a memoria do poeta se as pessoas quiserem.

Até as escolas podem ter um papel importante se derem a conhecer os trabalhos do poeta e quem ele foi no folclore e na poesia, pois não havia rancho de folclore no Minho que ele não divulgasse e quantos ranchos, tocadores e cantadores não trazia na altura que fazia anos a Cabanas, sem nunca esquecer a Ofélia das Cachenas , entre outros bailadores. Será que se nada for feito para reavivar e divulgar a memoria do poeta, que informação terão as gerações vindouras para saberem porque puseram o nome de Pedro Homem de Mello, e vão certamente interrogarem-se, afinal quem foi este senhor e o que fez para  ter o seu nome ligado a esta estrada ???

 

1-Março-08

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