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DIA DE TODOS OS SANTOS.

por afifenoticias, em 30.10.10

 .           DIA DE TODOS OS SANTOS:                      

                 

Em Afife, a tradição vai-se mantendo e são muitos aqueles que estando fora,  fazem questão de se deslocarem à sua terra, para lembrar aqueles que já partiram e participarem nos actos religiosos que nesta altura se realizam evocando os mortos. A visita ao cemitério, é ponto obrigatório e muitos fazem-no uma vez por ano e sempre nesta altura, especialmente aqueles que tem as suas actividades profissionais fora da freguesia e há ainda outros que não tendo já família, se deslocam para recordar aqueles que foram seus familiares e que já não fazem parte do rol dos vivos. 

 Tal como acontece um pouco por todo o lado, o dia de Todos Os Santos e Finados, tem a sua vertente religiosa, comercial e a de preparação. Esta tarefa cabe principalmente às pessoas que vão procedendo a trabalhos especiais nas campas e jazigos dos cemitérios, para que no primeiro de Novembro tudo se encontre limpo e asseado e no computo geral, é nos dado a observar um pouco por todo o lado quantas vezes se capricha com gastos exagerados, já que vêem-se neste dia, arranjos florais nas campas, que custam os olhos da cara, alem de outros paramentos que no fim de contas só servem uma vez por ano. Isto já para não falar no luxo de campas e jazigos, só para ser o melhor e o mais vistoso. No fim de contas este é o negocio dos vivos, feito com os mortos, já que as floristas, tem nesta altura o seu S. Miguel e por vezes as flores até são inflacionadas, bem como aparecem aquelas mais raras, que o seu preço não é comportável por qualquer carteira.

                          

Mas isto não é novo, já vem de tempos idos e certamente que vai continuar no tempo, tal como as vendedeiras de roscas, que lá vão aparecendo às portas da Igreja e Cemitério, que embora estas sejam novas, as roscas já são bem antigas na arte da doçaria popular, porque a tradição mantém-se e certamente que os mais velhos se lembrarão que era  quase inevitável, que no fim da visita ao cemitério, não se fosse  à mulher  das roscas, para comprar meia ou uma dúzia e por vezes até uns rebuçados que também traziam no cesto para venda. Agora e porque o cemitério é desde há vários anos pavimentado, cabe à Junta de Freguesia proceder à sua lavagem, o que aconteceu no dia de ontem e este sábado, foi dia para que as pessoas pudessem colocar as flores, já que as campas haviam sido já arranjadas antes da lavagem feita pelos trabalhadores da autarquia.

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Desde o século II, alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Também o abade de Cluny santo  Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os Papas  Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão I (1015) obrigam a humanidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado 2 de Novembro, porque  1 de Novembro é a Festa de Todos os Santos. A doutrina católica evoca algumas passagens bíblicas para fundamentar sua posição (cf. Tobias 12,12; Jó 1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46), e se apóia em uma prática de quase dois mil anos.

Primeiro de novembro é o dia de todos os Santos.

Celebrar todos os santos é celebrar a santidade de Deus que manifesta-se nos seus filhos e filhas. Só Deus é santo, mas nós somos sua imagem e semelhança, por isso somos chamados à santidade. Deus é amor e quanto mais vivermos no amor, mais seremos semelhantes a Deus.

A santidade é sermos semelhantes a Deus, não tomando o Seu lugar, mas vivendo em todo lugar em sintonia com seu amor e sua bondade.

A grande pergunta que nós podemos fazer é a seguinte: é possível ser santo em São Paulo? A nossa cidade é lugar da santidade de Deus? E mais ainda, o que é ser santo em São Paulo?

A nossa cidade cheia de tão grandes desafios, contradições e conflitos, é espaço favorável a viver na santidade. Muitas vezes temos introjetado que o santo, a santa são pessoas imóveis, estáticas, caladas e que não se posicionam frente aos conflitos sociais, políticos e de interesses. Os que vivem a santidade gostam do silêncio da oração, mas não se calam diante das injustiças e opressões que atingem principalmente os mais fracos e frágeis. Os santos não são super-homens e as santas não são super-mulheres, mas pessoas que na sua fragilidade confiam na força amorosa de Deus que é o protector e defensor dos pobres.

A nossa cidade e em geral as cidades brasileiras são o retrato da enorme desigualdade que atinge a tantas pessoas, privando-as da sua humanidade, quando as impossibilita o trabalho, o alimento, a saúde, a educação, a moradia, a dignidade e as possibilidades de ser livres e felizes.

A santidade é a glória de Deus na vida de seus filhos e filhas. Santo Irineu nos ensina que “a glória de Deus é que seus filhos vivam”. Vivam e não sobrevivam em condições humilhantes e indignas.

A santidade é situada, é datada, não é um processo alienante e abstracto, tanto que para ser declarado santo a vida da pessoa é examinada em todas as circunstâncias de seus actos, escritos, palavras, atitudes, buscando entender como enfrentou as dificuldades e conflitos de seu tempo e como conviveu com seus contemporâneos a fidelidade no seguimento de sua fé.

Os santos e santas são pessoas marcadas pelo seu tempo e que souberam perceber o apelo de Deus pelo discernimento de buscá-lo e amá-lo acima de tudo, não tendo medo de assumir e viver o escândalo da cruz, das perseguições e do martírio.

Os santos não são privilegiados que podiam ficar sem comida e não sentir fome, serem alvejados sem se ferir ou sentir dor, sofrer sem sofrimento. Os santos e santas são pessoas humanas, sujeitas à solidão, cansaço, lágrimas. Muitos foram prisioneiros, torturados, massacrados, assassinados. Muitos foram exilados, expulsos de suas cidades e tratados com extrema crueldade, mas se mantiveram firmes nas suas opções e fiéis adoradores ao Deus de Jesus, sem se render aos ídolos que surgem em todas as épocas favorecendo a idolatria e o pecado do egoísmo e do oportunismo.

A santidade não é a busca do sofrimento, não é exercício de masoquismo, é a felicidade de quem ama e vence o medo e, com fidelidade, assume as consequências do seu amor.

Amar traz conseqüências, não é possível amar e não se transformar e colocar sua vida em risco ou em vulnerabilidade. O amor nos fortalece e fragiliza, nos santifica.

Os santos e santas são sinais para nós de que o que Deus pede é possível, é para nos animar de que pessoas frágeis como nós foram capazes de superar os desafios e viver com fidelidade até o fim.

a de quase dois mil anos.

 30 de Outubro de 2010

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publicado às 20:41



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