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ENTREVISTA DA RADIO

por afifenoticias, em 28.04.12

   ENTREVISTA COM EX COMBATENTES DO ULTRAMAR              

       

A entrevista desta semana, foi com ex combatentes de Afife, que estiveram na guerra do ultramar, desta vez em estúdio estiveram, Domingos Fontainhas e Tomas Poço, a escolha foi ocasional, ate porque em Afife há muitos que estiveram na guerra, houveram outros convites, mas por motivos variados, não foi possível estarem presentes.

A conversa versou sobre a guerra  em que  estes estiveram envolvidos e foram contadas algumas passagens da vida militar,neste caso  em Moçambique, porque tanto Domingos Fontainhas, como como Tomas Poço estiveram a prestar serviço nesta antiga colónia Portuguesa.

O primeiro serviu nos para quedistas, enquanto o segundo, esteve nas milícias e durante dois anos viveu com os nativos e era o único branco e dirigiu dois acampamentos de nativos,onde o objetivo era de fazer com que as populações vivessem e trabalhassem na agricultura,de mofo a não faltar nada, para assim evitar que a sua juventude fosse parar aos movimentos de libertação de Moçambique.

Tomas Poço deixou claro, que a sua ida para as milícias se deveu à sua conduta de anti guerra colonial, de sempre fazer comícios nos quartéis contra a guerra. Salientou que foi difícil e complicada a saturação que se lhe deparou pela frente, já que apenas ele e outro milícia africano é que falavam Português, a população falava dois dialetos.

Contou algumas situações em que teve que fazer de medico enfermeiro e outros, tendo conseguido êxito em muitas situações,  mas também se deparou com  situações graves de epidemias.

Salientou que viver dois anos no meio de uma população, onde ele era o único branco, não foi coisa fácil, já que estava isolado de tudo, não ouvia radio muito tempo, porque faltavam as pilhas e por tal só se podia ouvis o noticiário das oito da noite da radio da Zâmbia, que transmitia o noticiário em Português entre outras línguas, mas a emissão era em onda curta e o governo Português colocava um ruído para evitar que a emissão fosse escutada.

Domingos Fontainhas, salientou que serviu na tropa de pára-quedistas, mas não se viu muito em confrontos no cenário de guerra propriamente dito, salientou que foi complicado todo o tempo que passou em Moçambique e até passou mais tempo que aquele que era estabelecido, pois só quando viu vir embora um militar  bastante mais novo, é que foi  perguntar, porque é que ainda não havia terminado a sua missão,jáque outros mais novos haviam seguido para Portugal,aqui depararam que já havia esgotado o tempo da sua comissão e foi assim  dado por finalizado o seu tempo de guerra. Salientou que já estava esgotado da tanto tempo na tropa e que não iria aguentar muito mais tempo naquela situação, quanto a baixas, diz que foram poucas as da sua incorporação e emocionado contou uma situação em que  morreu um soldado do seu grupo e devido ás circunstancias, até porque nos para quedistas,ninguém fica para traz, tiveram que o enterrar na selva, mas mais tarde um grupo de  antigos para quedistas procederam à transladação do corpo para a sua terra natal.

Tanto Domingos Fontainhas, como Tomas Poço, criticaram a forma como os governantes tem tratado os antigos combatentes do ultramar,salientando que há muitos mutilados e com traumas profundos de uma guerra para a qual eram obrigados a ir, salientaram ainda que todos esqueceram aqueles que morreram em defesa da Pátria e apenas são os colegas de armas que evocam as suas memorias nos encontros que vão realizando.

Tomas Poço,salientou que se sente traído pelo seu país, que ainda hoje nem sequer tem a caderneta militar e já tem tentado tratar da sua situação militar, em Leiria, onde assentou praça e agora em Lisboa,onde está o arquivo do exercito.

Salientou que  quando se deu o 25 de Abril de 1974, estava em Moçambique , mas só no dia 27, é que soube o que se tinha passado em Lisboa, através do noticiário da radio da Zâmbia e desde logo encetou contactos, para sair dali, o que o teve que fazer a pé, durante muitos quilómetros, com outros milícias, levando consigo algumas armas, deixando no acampamento algumas armas pesadas e munições.

Para Domingos Fontainhas, este já passou o 25 de Abril em Portugal, pois havia chegado em finais de fevereiro de 1974.

Ambos se sentem injustiçados, pelo tratamento que os governos tem dado aos antigos combatentes,pois estão simplesmente esquecidos e muitos vivem com serias dificuldades, dado a deficiências que adquiriram na guerra, assim como outros traumas que os seguem para toda a vida.

 

 

 

 

28-04-12

ANI

Com Filipe Costa

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publicado às 21:53



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