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NOTICIAS LOCAIS E REGIONAIS ACTUALIZADAS SEMANALMENTE AOS SÁBADOS ÀS 21h30 ........ e-mail: afifenoticias@sapo.pt

A PÁSCOA NO ALTO MINHO

Por Antero Sampaio

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          A Páscoa é uma celebração religiosa que comemora a Ressurreição de Jesus Cristo.

             Os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo, sendo a data conhecida como Domingo de Páscoa. De acordo com a Bíblia, após a crucificação de Cristo, celebrada na Sexta Feira Santa, Cristo ressuscitou no terceiro dia após a sua morte. A data serve como momento de reflexão, em homenagem à vida e morte de Cristo e de agradecimento e glorificação do seu sofrimento. A Páscoa é celebrada também pela reunião da família, sendo um momento de confraternização e de alegria.

           A PÁSCOA NO ALTO MINHO

           O compasso já anda na rua!

             Vizinhos e amigos apressam-se a desejar as” Boas Festas”, ao pessoal das casas:

             Boas Festas alegres,

             Corporais e Espirituais.

               Ressuscitou Nosso Senhor,

               Aleluia…Aleluia

           Nesta altura, atapetam-se as ruas e os caminhos de palmas, espadanas e flores. E aquela amálgama de gente corre, de casa em casa, não esquecendo um vizinho, pobre ou rico, um amigo. É um reboliço! Há risadas e gritos, “trocas “ de conversados. Beijos e abraços.

             Quando chega o compasso, é o Pároco que saúda todos os presentes, enquanto asperge com água benta a sala grande onde está colocada a mesa da Páscoa. Depois o mordomo dá a cruz a beijar ao dono e a todos os convidados. Entretanto, o proprietário da casa convida o Sr. Abade a sentar-se um bocadinho, oferecendo-lhe da mesa , onde nada falta, desde o arroz doce até ao sortido, passando pelo melhor vinho, vinho fino, gerupiga ou algum licor espiritual.

               Num clima muito ordeiro, as pessoas comem sem cerimónia, enquanto a Cruz Pascal descansa em cima da cama do casal. Depois do dono da casa ter entregue ao Sr. Abade, um sobrescrito fechado, contendo o folar e de ter dado outras esmolas, o compasso retoma o seu caminho, que a jornada é longa.

               Localidades há ainda na Ribeira Lima, onde o folar do Pároco consta de géneros que são oferecidos conforme as posses de cada um.

               Em Serzedelo (Ponte de Lima) nas casas com raparigas solteiras, estas esperam o Sr. Abade á entrada da porta, oferecendo-lhe um “raminho” que deverá transportar até outra casa, onde lhe entreguem novo “raminho”.

               O JANTAR DA CRUZ

               Ao meio dia, compete ao Mordomo da Cruz, (noutras terras, ao Juiz) , oferecer o “Jantar” da Mordomia, por norma, um jantar de “substância”, que vai desde os entreténs de boca- como orelheira, toucinho, chouriças da matança, bolinhos de bacalhau, bacalhau frito, broa e azeitonas, a que se seguem os filetes de pescada de Viana, a vitela assada, o sarapatel de cabrito, o pica no chão, para terminar na sopa de cozido e no cozido à minhota.

           Á sobremesa, não pode faltar o bate (pão de ló), o leite de creme queimado, o arroz doce, a aletria com desenhos de canela, os “papudos”, os doces de sequilhar, os bolos brancos (de gema), os rosquilhos, os beijinhos de Páscoa, as amêndoas e os rebuçados. O vinho é de pipa, fazendo gala o Mordomo que seja o melhor da adega. No final, uma girândola de foguetes diz que o “jantar já terminou.

           Em Fontão e em Meixedo, durante o jantar, às vezes com mais de 400 pessoas, é eleito o Mordomo da Cruz, numa cerimónia que consiste, no seguinte: o actual Mordomo entrega a uma criança um ramo de laranjeira, que, calculadamente, o deixa ficar no lugar onde se encontra a “vitima”ou o “brioso” que deverá carregar a Cruz do próximo ano, o que significa também, fazer e pagar o “Jantar da Cruz”.

             O “compasso”, em Vitorino das Donas, tem uma singularidade especial. Deu-lhe origem, conforme reza a tradição, a proibição do uso do chapéu, por parte dos homens, quando presentes a actos religiosos. E, vai daí, o pessoal do “compasso” arranjou maneira de se livrar do rigor do sol. Mordomos da Cruz e do Senhor, rapazes da caldeira e campainha, toca a usar os célebres “cachenés” dos fatos à vianesa, atados segundo o jeito das mulheres. Também o Mordomo, que arrecada o “folar, para o Senhor Abade, tem que ser distinguido e, por isso, é obrigado ao uso de uma toalha branca, de puro linho, a tiracolo.

           A visita Pascal faz-se, usualmente, no Domingo e na Segunda Feira de Páscoa. Terras há, no entanto, em que, por tradição, sai o “compasso”, também no Domingo de Pascoela.

           A todos os meus leitores, desejo uma SANTA PÁSCOA.

 

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