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Em Caminha, Câmara quer compensar comunidade piscatória do abandono a que foi votada no passado.

Augusto_Porto.jpg

A Câmara Municipal de Caminha, espera uma resposta positiva em relação à candidatura apresentada para uma profunda intervenção no Cais da Rua. A decisão será conhecida dentro de algumas semanas e, se a expectativa se concretizar, a obra avança de imediato. Como frisou Miguel Alves na reunião descentralizada de ontem, "a comunidade piscatória foi abandonada, nos últimos anos, no concelho de Caminha" e é tempo de inverter esta situação. Em causa está uma obra orçada em 800 mil euros, que obrigará a um esforço financeiro do Município ainda considerável, mas cuja prioridade é absoluta.

A última reunião descentralizada da segunda ronda pelas freguesias decorreu ao final da tarde de ontem, na sede dos Bombeiros Voluntários de Caminha, respeitando à freguesia de Caminha (Matriz) e Vilarelho. O pescador Augusto Porto foi um dos munícipes que interveio, para expor as suas preocupações sobre a pesca no Rio Minho. Também o presidente da Junta de Freguesia, Miguel Gonçalves, se tinha referido à pesca, lembrando que quase nunca foi tratada devidamente no concelho e "os pescadores estiveram longos anos esquecidos".

Em resposta, presidente e vice-presidente da Câmara foram perentórios: a pesca é essencial à economia concelhia, diferencia-nos e tem de ser apoiada, para além das várias intervenções que têm sido feitas.

Miguel Alves sublinhou que o abandono a que foram votados os pescadores no passado, assim como os erros cometidos, são questões que este Executivo não admite. "Quando cheguei mandei fazer um projeto para o Cais da Rua, ouvindo os pescadores e a Capitania. Chamei cá o secretário de Estado das Pescas, sem dar nota disso, e sensibilizei-o. Não se pode cometer em Caminha o mesmo erro que se cometeu em Vila Praia de Âncora, onde o Estado pagou uma grande obra, mas onde não foram ouvidos os pescadores", com as consequências que se conhecem, a obrigar a obras constantes, estando já prevista mais uma ação de desassoreamento orçada em meio milhão de euros.    

O presidente lamentou ainda que o projeto encomendado pelo anterior Executivo para a marginal de Caminha ignorasse o Cais da Rua, e isso, frisou, foi mais uma atitude de abandono em relação aos pescadores - "nem o projeto para o Cais se fez".

Agora, a poucas semanas de se conhecer a decisão sobre a candidatura, o presidente da Câmara avisou que não se importará com críticas e, tratando-se de um ano eleitoral, a obra avançará mesmo em 2017, caso, como espera, a candidatura seja aprovada, porque já se perdeu demasiado tempo.

Miguel Alves lembrou também que, ao chegar à Câmara no início deste mandato, encontrou uma situação terceiro-mundista no acesso dos pescadores às embarcações: "o que fizemos foi colocar escadas de acesso às embarcações - os pescadores antes tinham que escorregar pela marginal e foram muitas as quedas por causa disso".

Além disso, recordou, foram feitas várias intervenções: "recuperamos o cais de atracação da Foz do Minho; pusemos um ponto de água nos Estaleiros do Quintas como era pedido há anos; recuperámos já a rampa existente no cais da vila e vamos fazer uma segunda intervenção para a prolongar junto à areia".

Também em resposta a Augusto Porto, o vice-presidente, Guilherme Lagido, tinha já dito que o concelho, tal como o conhecemos, "é impensável sem a pesca", salientando o modo como condiciona positivamente a restauração e o turismo

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