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DIA DE TODOS OS SANTOS.

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O primeiro dia de Novembro, é dia de Todos Os Santos, este ano volta a ser feriado nacional, depois deste e outros feriados terem sido suprimidos pelo anterior governo. Esta é altura das pessoas visitarem os cemitérios para recordar os que partiram, assim como a Igreja realiza as cerimonias relativas ao este dia, sempre com uma romagem ao cemitério. Em tempos este dia, era altura de aqueles que residem fora da freguesia, fazer uma visita e participar nas celebrações religiosas. No entanto com a supressão deste feriado as pessoas deixaram para trás este habito e mesmo as celebrações foram adiadas para o fim de semana seguinte ao feriado. Este ano, certamente que muitos vão voltar a estar presentes para uma visita ao cemitério, tal como acontecia antes da paragem dos feriados. No entanto este dia, é oS. Miguel para muitos, a venda de flores sobe em flecha e muitas vezes até dispara o preço das mesmas. A junta de freguesia, também prepara sempre esta altura, este ano procedeu à pintura de muros e portões do cemitério, bem como procedeu à lavagem geral dos arruamentos do cemitério.

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Desde o século II, alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Também o abade de Cluny santo  Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os Papas  Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão I (1015) obrigam a humanidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado 2 de Novembro, porque  1 de Novembro é a Festa de Todos os Santos. A doutrina católica evoca algumas passagens bíblicas para fundamentar sua posição (cf. Tobias 12,12; Jó 1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46), e se apóia em uma prática de quase dois mil anos.

Primeiro de novembro é o dia de todos os Santos.

Celebrar todos os santos é celebrar a santidade de Deus que manifesta-se nos seus filhos e filhas. Só Deus é santo, mas nós somos sua imagem e semelhança, por isso somos chamados à santidade. Deus é amor e quanto mais vivermos no amor, mais seremos semelhantes a Deus.

A santidade é sermos semelhantes a Deus, não tomando o Seu lugar, mas vivendo em todo lugar em sintonia com seu amor e sua bondade.

A grande pergunta que nós podemos fazer é a seguinte: é possível ser santo em São Paulo? A nossa cidade é lugar da santidade de Deus? E mais ainda, o que é ser santo em São Paulo?

A nossa cidade cheia de tão grandes desafios, contradições e conflitos, é espaço favorável a viver na santidade. Muitas vezes temos introjetado que o santo, a santa são pessoas imóveis, estáticas, caladas e que não se posicionam frente aos conflitos sociais, políticos e de interesses. Os que vivem a santidade gostam do silêncio da oração, mas não se calam diante das injustiças e opressões que atingem principalmente os mais fracos e frágeis. Os santos não são super-homens e as santas não são super-mulheres, mas pessoas que na sua fragilidade confiam na força amorosa de Deus que é o protector e defensor dos pobres.

A nossa cidade e em geral as cidades brasileiras são o retrato da enorme desigualdade que atinge a tantas pessoas, privando-as da sua humanidade, quando as impossibilita o trabalho, o alimento, a saúde, a educação, a moradia, a dignidade e as possibilidades de ser livres e felizes.

A santidade é a glória de Deus na vida de seus filhos e filhas. Santo Irineu nos ensina que “a glória de Deus é que seus filhos vivam”. Vivam e não sobrevivam em condições humilhantes e indignas.

A santidade é situada, é datada, não é um processo alienante e abstracto, tanto que para ser declarado santo a vida da pessoa é examinada em todas as circunstâncias de seus actos, escritos, palavras, atitudes, buscando entender como enfrentou as dificuldades e conflitos de seu tempo e como conviveu com seus contemporâneos a fidelidade no seguimento de sua fé.

Os santos e santas são pessoas marcadas pelo seu tempo e que souberam perceber o apelo de Deus pelo discernimento de buscá-lo e amá-lo acima de tudo, não tendo medo de assumir e viver o escândalo da cruz, das perseguições e do martírio.

Os santos não são privilegiados que podiam ficar sem comida e não sentir fome, serem alvejados sem se ferir ou sentir dor, sofrer sem sofrimento. Os santos e santas são pessoas humanas, sujeitas à solidão, cansaço, lágrimas. Muitos foram prisioneiros, torturados, massacrados, assassinados. Muitos foram exilados, expulsos de suas cidades e tratados com extrema crueldade, mas se mantiveram firmes nas suas opções e fiéis adoradores ao Deus de Jesus, sem se render aos ídolos que surgem em todas as épocas favorecendo a idolatria e o pecado do egoísmo e do oportunismo.

A santidade não é a busca do sofrimento, não é exercício de masoquismo, é a felicidade de quem ama e vence o medo e, com fidelidade, assume as consequências do seu amor.

Amar traz conseqüências, não é possível amar e não se transformar e colocar sua vida em risco ou em vulnerabilidade. O amor nos fortalece e fragiliza, nos santifica.

Os santos e santas são sinais para nós de que o que Deus pede é possível, é para nos animar de que pessoas frágeis como nós foram capazes de superar os desafios e viver com fidelidade até o fim. a de quase dois mil anos.

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